Festa do Pontal. Montenegro critica "censura moderna" e pede "menos maledicência"

Festa do Pontal. Montenegro critica "censura moderna" e pede "menos maledicência"

Na tradicional Festa do Pontal, no Algarve, o primeiro-ministro fez um discurso otimista, criticando a "censura moderna" e defendendo que o país tem de falar menos dos problemas da governação, e mais dos êxitos.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Luís Forra - Lusa

Na rentrée social-democrata da Festa do Pontal, que decorre no Algarve, o primeiro-ministro fez um discurso de “copo meio cheio”, onde preferiu destacar os bons resultados do Governo e as suas medidas, criticando a “censura moderna” e apelando a um país com “menos maledicência”.

“O país tem de ter a coragem de falar mais das grandes coisas que estamos a fazer bem e falar menos das pequenas coisas que, por ventura, não corram tão bem”, disse o primeiro-ministro.

"Não podemos viver uma espécie de censura moderna em que as pessoas só conhecem, sabem e debatem os assuntos mais polémicos
, os assuntos de pequenos incidentes, dos pequenos episódios e deixar aquilo que é mais importante escondido em notas de rodapé ou mesmo omitido dos grandes espaços de veicular e comentar a informação", criticou.

O presidente do PSD disse que o partido e o Governo que lidera têm uma cultura política de "fazer mais e não falar assim tanto", o que, admitiu, "irrita muita gente" que queria que o executivo falasse "todos os dias".

"Queremos um Portugal com orgulho em si próprio, com menos maledicência, onde não haja tantos que encarem como um frete dizer aquilo que estamos a fazer bem", defendeu.

“Fala-se muito pouco em Portugal daquilo que estamos a fazer e fala-se muito fora de Portugal daquilo que Portugal está a fazer”, asseverou, garantindo que o Governo está concentrado "em fazer de Portugal um país maior" no aproveitamento do território, do seu potencial económico, na modernização do funcionamento do Estado e na resposta às pessoas nas suas necessidades.

Nos 47 minutos de discurso, Montenegro enalteceu os números históricos do emprego, o crescimento da economia portuguesa e o aumento dos salários e recordou as promessas deixadas na última Festa do Pontal, garantindo que o hospital do Algarve "está a caminho” e que no próximo ano vai realizar-se o Grande Prémio de Fórmula 1 no Algarve, “por mais que possa irritar alguns”.
Não deixará nenhuma "troika"
Montenegro antecipou que Portugal irá “continuar a trajetória descendente” da dívida pública e comprometeu-se a baixar o IRS e valorizar as pensões mais baixas assim que as finanças públicas o permitam, prometendo não deixar nenhuma ‘troika’.


“Aqueles que pensam o contrário são aqueles que a cada dificuldade têm a resposta da praxe e do costume: mais dinheiro para cima de todos os problemas. Mas nós não somos daqueles que gastam o dinheiro hoje que vai fazer falta àqueles que virão a seguir a nós”, disse Luís Montenegro.

O primeiro-ministro prometeu que a sua governação não vai “legar nenhuma ‘troika’ a ninguém”, mas sim “um país a crescer, com emprego e com oportunidades”.

“Nós estamos a fazer este esforço, estamos a conseguir esta taxa de crescimento e temos finanças públicas equilibradas. E temos a nossa dívida pública a descer, mesmo que no último trimestre tivesse subido circunstancialmente”, disse.

Montenegro antecipou que “no final deste trimestre e no final do ano” será percetível que Portugal vai “continuar a trajetória descendente” que em 2025 já levou a “uma dívida pública inferior a 90% do produto”.

"Isto não são apenas números, isto são pessoas”, disse.

“Porque um país menos endividado é um país com mais recursos e uma economia, pode financiar-se de forma mais favorável. Um país menos endividado e com mais capacidade de financiamento consegue dar às pessoas as oportunidades que elas procuram”, defendeu.
Passe verde, REN e TAP
Montenegro aproveitou ainda para anunciar que o "passe verde" para transportes, por 20 euros, vai estar disponível nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto a partir do início de setembro.

O primeiro-ministro anunciou também que o Estado português chegou a acordo com um grupo espanhol para adquirir 13,7% da REN. “Fazemo-lo não para renacionalizar a empresa, mas para salvaguardar o interesse estratégico de Portugal na sua infraestrutura elétrica”, disse.

O primeiro-ministro falou ainda sobre a TAP, prevendo que o processo de privatização da transportadora será "melhor do que aquilo que se perspetivava", mostrando-se convicto de que se iniciará "a recuperação total do valor que os portugueses investiram" na companhia aérea.

Estão presentes no Pontal vários ministros como António Leitão Amaro, Ana Paula Martins, Maria do Rosário Palma Ramalho ou Manuel Castro Almeida, assim como o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.

Entre as ausências, destaque para dois ministros que têm estado no centro das polémicas nas últimas semanas: Luís Neves (Administração Interna) e Fernando Alexandre (Educação), mas também Paulo Rangel (Negócios Estrangeiros) e Joaquim Miranda Sarmento (Finanças).

c/Lusa
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